O cacique
Transpira sucesso pelos poros abertos. Quarentão rubicundo de importância a estrebuchar pelas costuras do fato cinzento, o dignitário local é uma força viva da região.
Herdou meia dúzia de quintas e casou com um pequeno negócio. Bastião do partido, cedeu instalações e financiou campanhas. Em troca, os fundos comunitários montaram-lhe explorações agro-pecuárias, PMEs várias e uma mansão apalhaçada.
A família popula as estruturas municipais das redondezas. É amigo do deputado que-já-foi-ministro-e-esteve-quase-quase-a-ser-mais, que lhe dá, amiúde, a honra de engalanar com a sua cosmopolita presença os grandes churrascos políticos organizados por dá cá aquele javali. E, claro, tuteia o bispo e "pápeia" o governador civil.
Mas ele só quer o bem das populações. É o protector de órfãs e viúvas, o esteio da associação recreativa e cultural, o garante da sobrevivência do clube de futebol que, graças ao seu patrocínio, e ao de um primo na arbitragem, enche de orgulho o peito local. Léguas em redor, não há burrinho que não toque, nem lucro em que não tenha parte.
Ao Domingo, na praça central, cerra entre as suas todas as mãos incautas e distribui palmadas nas costas mais vulneráveis.
Enturma entusiasmado com os jogadores de malha, jorram-lhe benesses em forma de palavra, senta-se com os velhotes à mesa do gamão, galanteia as senhoras e ainda dá uma mãozinha na quermesse das Irmãs de São Sebastião – o Desejado.
Salta aos olhos que é um pilar da comunidade. E, à socapa, faz batota às cartas.
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